INQUÉRITO SOROLÓGICO PARA LEPTOSPIROSE EM VEADOS-CAMPEIROS DE UBERLÂNDIA / SEROLOGIC SURVEY OF LEPTOSPIROSIS IN PAMPAS DEER FROM UBERLÂNDIA

T. C. S. RODRIGUES, A. L. Q. SANTOS, A. M. C. LIMA-RIBEIRO, D. O. GOMES, T. C. F. TAVARES

Resumo


Amostras de soro de sete veados-campeiros (Ozotoceros bezoarticus), todos de vida livre, provenientes do acervo sorológico do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Animais Silvestres (LAPAS) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), foram submetidas ao teste de Soroaglutinação Microscópica (SAM). O teste foi realizado no Laboratório de Doenças Infectocontagiosas da UFU, utilizando-se como antígenos os sorovares Australis, Autumnalis, Bataviae, Brastilava, Canicola, Copenhageni, Grippotyphosa, Hardjo, Hebdomadis, Icterohaemorrahagiae, Pomona, Pyrogenes, Tarassovi e Wolffi. Apenas uma amostra foi positiva e reagiu ao sorovar Copenhageni (Titulação 100). Mathias, Girio e Duarte (1999) relataram a ocorrência de O. benzoarticus positivos aos sorovares Hardjo, Wolffi e Mini, diferindo daqueles encontrados neste estudo. Girio e colaboradores (2004) descreveram quatro de 41 animais dessa espécie reagentes na SAM, aos sorovares Wolffi, Mini e Hardjo. De maneira geral, as porcentagens de Ozotoceros bezoarticus positivos para detecção de anticorpos antilepstospiras encontradas na literatura são baixas, fato que pode ser explicado pelos hábitos dessa espécie. Segundo Rodrigues (1996), esses são animais geralmente solitários, o que reduz as chances de um O. bezoarticus transmitir  para outro. Além disso, apresentam preferência alimentar por flores e ervas, sendo as gramíneas pouco consumidas (RODRIGUES, 1996). Assim, não costumam se alimentar em pastagens ocupadas por animais de produção, que podem estar infectados. Compreender a ocorrência de leptospirose nos animais selvagens é fundamental para avaliar os riscos que a doença pode causar à conservação de diversas espécies e assegurar a sua sobrevivência em longo prazo.

 

 

SUMMARY

Serum samples from seven free-living pampas deer (Ozotoceros bezoarticus) from the serum samples collection of the Laboratório de Ensino e Pesquisa em Animais Silvestres (LAPAS) of the Universidade Federal de Uberlândia (UFU) were tested using the Microscopic Agglutination Test (MAT). The test was performed in the laboratory of infectious diseases of the UFU, using as antigens the following serovars Australis, Autumnalis, Bataviae, Brastilava, Canicola, Copenhageni, Grippotyphosa, Hardjo, Hebdomadis, Icterohaemorrahagiae, Pomona, Pyrogenes, Tarassovi and Wolffi. From all samples tested, only one was positive to serovar Copenhageni (titer 100). Mathias, Girio and Duarte (1999) reported the occurrence of O. benzoarticus positive to the serovars Hardjo, Wolffi and Mini, differing from those found in this study. Girio and collaborators (2004) reported that four of 41 animals of this species were reagents to MAT and the serovars Wolffi, Mini and Hardjo. In general, the percentages of Ozotoceros bezoarticus positive for antilepstospiras antibodies found in the literature are low, which may be explained by the habits of this species. According to Rodrigues (1996), O. bezoarticus are generally solitary animals thus reducing the transmission chances. Moreover, their food preference is for flowers and herbs while grasses are consumed sporadically (RODRIGUES, 1996). Therefore, they do not usually feed in pastures occupied by livestock, which may be infected. In conclusion, understanding the occurrence of leptospirosis in wildlife is critical to assess the risks that the disease can pose to the conservation of several species and ensure its long-term survival. 


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DOI: http://dx.doi.org/10.15361/2175-0106.2013v29n4p22