ISOLAMENTO DE Yersinia enterocolitica EM SUÍNOS AO ABATE / ISOLATION OF Yersinia enterocolitica IN SLAUGHTERED SWINE

R. Z. SABA, O. D. ROSSI JUNIOR, B. A. KAMIMURA, L. F. LAVEZZO, K. P. BÜRGER, A. M. C. VIDAL-MARTINS

Resumo


O gênero bacteriano Yersinia compreende 14 espécies (BOTTONE et al., 2005), entre as quais, quatro são consideradas patogênicas aos animais e/ou aos humanos, entre elas, a Yersinia enterocolitica (ORTIZ MARTÍNEZ, 2010). Apesar de sua distribuição heterogênea, (LYNCH et al., 2006; BONARDI et al., 2010), a maior fonte de infecção de Y. enterocolitica  para os humanos é o suíno e a principal via de transmissão, a carne suína e seus produtos contaminados (FREDRIKSSON-AHOMAA et al., 2011; DRUMMOND et al., 2012). Segundo Howard et al. (2006) várias doenças podem ser causadas pela Y. enterocolitica em humanos, desde uma diarréia moderada até complicações mais graves como, adenite mesentérica e artrite reumatóide. Com o objetivo de determinar a ocorrência e o isolamento desse agente na linha de abate de suínos, foram coletadas amostras de tecidos biológicos, excrementos e suabes de carcaças de suínos ao abate e de facas  em um matadouro-frigorífico supervisionado pelo Serviço de Inspeção Estadual do estado de São Paulo (SISP). A partir de 25 animais, foram analisadas 175 amostras compostas de línguas, tonsilas, linfonodos submandibulares, linfonodos mesentéricos, suabes de carcaças, conteúdo retal e suabes de facas utilizadas pela inspeção. Para o isolamento, empregou-se a metodologia preconizada pela International Organization for Standardization, pelo método ISO 10273 (ISO, 2003). Y. enterocolitica foi isolada em 5 amostras de tonsilas, 4 de línguas, 2 de linfonodos submandibulares, 2 de facas e 1 de linfonodo mesentérico, totalizando 14 amostras positivas (8%) das 175 coletadas. Apenas os isolados a partir das facas foram considerados patogênicos: Y. enterocolitica biotipo 4 sorotipo O:3. Dessa maneira, deve-se considerar a faca utilizada pela inspeção um importante fômite para a disseminação do agente para a carcaça do próprio animal  portador como para outras carcaças de animais não portadores, por contaminação cruzada. O isolamento do agente em amostras de animais clinicamente saudáveis representa um risco para a saúde pública, pela possibilidade de ingestão de carne suína contaminada por Y. enterocolitica.

 

SUMMARY

 

The bacterial genus Yersinia includes 14 species (BOTTONE et al., 2005), of which four are considered pathogenic to animals and/or humans, among them, Yersinia enterocolitica (ORTIZ MARTINEZ, 2010). Despite its heterogeneous distribution, (LYNCH et al., 2006; BONARDI et al., 2010), pigs constitute the major source of infection of Y. enterocolitica in humans while the main route of transmission is the pork and contaminated products (FREDRIKSSON-AHOMAA et al., 2011; DRUMMOND et al., 2012). According to Howard et al. (2006), various diseases can be caused by Y. enterocolitica in humans, ranging from a mild diarrhea to severe complications such as mesenteric adenitis and rheumatoid arthritis. In order to determine the occurrence and to isolate this agent in the pig slaughtering process, samples of biological tissues were collected, as well as excreta and swabs of pig carcasses at slaughter and of slaughter knives from a slaughterhouse subjected to sanitary inspection by the State Inspection Service of the São Paulo State (SISP). A total of 175 samples from 25 animals consisting of tongues, tonsil, submandibular and mesenteric lymph nodes, carcass swabs, rectal contents and swabs of the knives used for inspection were analyzed. The methodology recommended by the International Organization for Standardization, method ISO 10273 (ISO, 2003), to isolate Y. enterocolitica was used. The bacteria was isolated in 5 samples of tonsils, 4 tongues​​, 2 submandibular lymph nodes, 2 knives and 1 mesenteric lymph node, totaling 14 positive samples (8%) of the 175 collected. Only the isolates from the knives were considered pathogenic Y. enterocolitica, biotype 4, serotype O: 3. Thus, the knife used for inspecting the meat should be considered an important fomite for the dissemination of the agent to the carcass of the contaminated animal itself and to other non-contaminated animal carcasses through cross-contamination. The isolation of the agent in samples from clinically healthy animals poses a risk to public health, due to the possibility of ingesting pork infected with Y. enterocolitica.


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DOI: http://dx.doi.org/10.15361/2175-0106.2013v29n4p92